Skip to main content

Numa altura em que a instabilidade e a incerteza apresentam-se como uma “nova normalidade”, não consigo deixar de pensar que pertenço a uma geração que nunca teve outra experiência adulta que não a precariedade.

Nasci em 1988 e pertenço a uma geração que viu o custo de vida multiplicar com a entrada do euro, que viveu a crise acabadinho de se licenciar e nem conseguiu um estágio profissional.

Em 2018 trabalho o marketing de um hotel evacuado devido a ter chamas à porta e em 2020 dirigia o marketing de um grupo hoteleiro durante a pandemia COVID-19.

Em 2022 assisti ao início da guerra na Ucrânia quando o meu pai, anos antes, fora convidado a ser cônsul daquele país, pela enorme ajuda que prestou ao longo dos anos à sua comunidade em Portugal. Sem vitimismo.

A campanha de 24 horas de terror nos media já cansa, e estamos todos cansados. A depressão vai ser a próxima trend, por óbvias e múltiplas razões.

Volte-se aos básicos. Remova-se tudo o resto.

Lembro-me de estar com James Cross, diretor Criativo da BBC, que colocou um placar outdoor a “arder” para promover o documentário de Sir David Attenborough, e com Robert Dunsmore, diretor Criativo de eventos, e que já trabalhou com marcas como a Skoda, e justamente falou-me desse evento e fez uma observação que ficou comigo: “O que realmente importa é tornar um movimento não numa ação, mas numa missão.”

O tema tinha sido a sustentabilidade ambiental e o produto seria um dos novos todo-o-terrenos da Skoda. A missão seria levar sementes para um parque natural e plantar, sendo todo o percurso uma prova de capacidades e funcionalidades do veículo. A ideia é acrescentar uma razão à ação, é tornar uma experiência num acontecimento com propósito.

O que é isso tem a ver com a crise atual?
Prevejo que o detox digital e o retiro vão ser as próximas grandes palavras-chave. A informação excessiva está já a mostrar os seus sintomas e o turismo pode e deve ter um papel participativo. Mas como todas as trends, temos que nos comprometer e tornar uma ideia numa missão.

Mostre-se o que Portugal tem de bom na natureza, promova-se o desligar de ecrã e um ligar à terra. Promova-se um novo acordar para um contacto mais equilibrado com o ambiente e um conceito de refúgio natural.

No fundo, em linha com o que se tem promovido de Portugal, mas agora apresentado como um kitkat de alfarroba, para uma pausa natural.

 

 

Texto previamente publicado na Publituris