{"id":411,"date":"2022-11-16T09:57:22","date_gmt":"2022-11-16T09:57:22","guid":{"rendered":"https:\/\/guicosta.pt\/?p=411"},"modified":"2022-11-16T10:03:04","modified_gmt":"2022-11-16T10:03:04","slug":"o-problema-da-epoca-do-algarve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/o-problema-da-epoca-do-algarve\/","title":{"rendered":"O problema da \u00e9poca do Algarve"},"content":{"rendered":"<h3>O Algarve \u00e9 o \u00fanico s\u00edtio do pa\u00eds que p\u00e1ra no inverno. Sempre me fez muita confus\u00e3o a passividade da aceita\u00e7\u00e3o deste facto, como se a sazonalidade fosse um problema demasiado complexo para se resolver e sem solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista.<\/h3>\n<p>As desculpas s\u00e3o muitas, a falta de avi\u00f5es, de turistas, de condi\u00e7\u00f5es, de falta de decis\u00e3o aut\u00e1rquica conjunta.<\/p>\n<p>Como em tudo em Portugal, aponta-se dedos para o nevoeiro e desviam-se responsabilidades.<\/p>\n<p>H\u00e1 anos que assisto a confer\u00eancias e debates onde o discurso \u00e9 j\u00e1 t\u00e3o reciclado que se tornou transparente e se desfaz ao m\u00ednimo contacto.<\/p>\n<p>A recente (cof antiqu\u00edssima cof) falta de trabalhadores \u00e9 um sintoma de algo cr\u00f3nico:<\/p>\n<p>Sazonalidade -&gt; Menos fatura\u00e7\u00e3o -&gt; Menos poder de contrata\u00e7\u00e3o -&gt; Pior servi\u00e7o -&gt;<\/p>\n<p>E infelizmente n\u00e3o se trata de um c\u00edrculo, mas de uma espiral descendente.<\/p>\n<p>Quem j\u00e1 trabalhou na hotelaria sabe que os hor\u00e1rios s\u00e3o desumanos, as responsabilidades dobram costas e vemos casos de esgotamento e depress\u00e3o como se fosse gripe. Procura-se o lucro espremido de uma omelete sem ovos e nem se d\u00e1 uma palmadinha nas costas do Chef. Fecha-se no inverno porque se fecha no inverno h\u00e1 40 anos e se fez as contas e sai mais barato fazer uma corrida no in\u00edcio da \u00e9poca com amendoins nas m\u00e3os para contratar para a \u00e9poca. Mas agora nem os macacos aparecem.<\/p>\n<p>\u201cMas Guilherme, qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o ent\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas \u00e9 simples. O resto do pa\u00eds j\u00e1 o descobriu por necessidade \u2013 \u00c9 n\u00e3o vender s\u00f3 praia.<\/p>\n<p>O Algarve sofre de um mal terr\u00edvel e destruidor que \u00e9 a descaracteriza\u00e7\u00e3o. Esse processo arrasador, acredito, ter surgido da genu\u00edna humildade do povo portugu\u00eas, que julga que o que tem n\u00e3o \u00e9 bom o suficiente para agradar e atrair.<\/p>\n<p>Foram-se construindo completas monstruosidades em cima da praia, e em cima de tudo. Acabaram-se com os mercados locais e o tradicional passou a ser reacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>S\u00f3 agora come\u00e7amos a perceber que o valor do t\u00edpico, no \u00fanico, na nossa individualidade como povo e cultura. \u00c9 nisso que dev\u00edamos apostar, forte e feio. A cultura n\u00e3o vive do bom tempo.<\/p>\n<p>A cura da sazonalidade est\u00e1 na cultura e valoriza\u00e7\u00e3o do Algarve como uma regi\u00e3o com uma hist\u00f3ria rica e atrativa. \u00c9 incr\u00edvel que a maior associa\u00e7\u00e3o de arqueologia tenha sido fundada por estrangeiros e ainda s\u00e3o o seu principal motor. Falta a valoriza\u00e7\u00e3o do local. E isso passa por haver uma aposta, n\u00e3o s\u00f3 das autarquias, mas tamb\u00e9m das empresas. Come\u00e7amos a ver, com as experi\u00eancias, caminhadas e outras atividades, mas h\u00e1 tanta coisa para explorar.<\/p>\n<p>Aposte-se no que faz de n\u00f3s um tomate tosco, mas saboroso, como dizia o publicit\u00e1rio Nuno Antunes, a ver se n\u00e3o trazemos gente que queira vir provar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Artigo previamente publicado na <a href=\"https:\/\/tnews.pt\/o-problema-da-epoca-do-algarve\/\">TNEWS<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Algarve \u00e9 o \u00fanico s\u00edtio do pa\u00eds que p\u00e1ra no inverno. Sempre me fez muita confus\u00e3o a passividade da aceita\u00e7\u00e3o deste facto, como se a sazonalidade fosse um problema&#8230;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":347,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[8,6,7],"class_list":["post-411","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-opiniao","tag-algarve","tag-marketing","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/411","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=411"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/411\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":413,"href":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/411\/revisions\/413"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/347"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}