{"id":543,"date":"2023-11-24T09:22:09","date_gmt":"2023-11-24T09:22:09","guid":{"rendered":"https:\/\/guicosta.pt\/?p=543"},"modified":"2023-11-24T09:22:09","modified_gmt":"2023-11-24T09:22:09","slug":"portugal-e-bom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/portugal-e-bom\/","title":{"rendered":"Portugal \u00e9 bom."},"content":{"rendered":"<p class=\"css-w11q5b\">Portugal \u00e9 bom, os portugueses s\u00e3o mais ou menos.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">N\u00e3o se trata de uma analogia sobre o copo meio cheio ou meio vazio. Trata-se da necessidade de olhar para o copo e n\u00e3o ver a quantidade de \u00e1gua, mas sim a quantidade de ar.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Aposto que ao ler o t\u00edtulo deste artigo o portugu\u00eas que o leu inadvertidamente questionou o que faltava. \u201c\u00c9 bom, mas podia ser melhor\u201d, \u201cPortugal \u00e9 bom, mas s\u00f3 para alguns\u201d, \u201c\u00e9 bom para quem est\u00e1 bem\u201d, \u201c\u00e9 bom, mas n\u00e3o \u00e9 para os portugueses.\u201d<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">O ponto final no t\u00edtulo \u00e9 intencional.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Somos um povo de contrassenso, de um eterno otimismo negativo. A melhor analogia que posso dar \u00e9 a da v\u00edtima de um acidente que ao ficar parapl\u00e9gica recebe o coment\u00e1rio tipicamente portugu\u00eas \u201cv\u00e1 l\u00e1, podia ter morrido\u201d, e se morreu, \u201cse sobrevivesse poderia ter ficado parapl\u00e9gica, foi melhor assim\u201d.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">N\u00e3o estamos bem, mas poder\u00edamos estar sempre piores.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">A Portugal n\u00e3o falta nada, aos portugueses falta-nos olhos na cara para ver a \u00e1gua que l\u00e1 est\u00e1, n\u00e3o a que poderia faltar, mas a quantidade exata. At\u00e9 quando a \u00e1gua \u00e9 escassa e quase a acabar, n\u00e3o a queremos ver. Olhem para as barragens vazias e os gritos de desespero de quem as gere. Ningu\u00e9m quer ver nem ouvir.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Fugimos dos problemas. Pegamos nas nossas naus, atolamos com as nossas trouxas e futuros, e l\u00e1 vamos n\u00f3s para longe. Tudo porque somos o pior cego, aquele que n\u00e3o quer ver. Deixamos os jovens irem embora porque a experi\u00eancia da cegueira desmotivadora ainda n\u00e3o erodiu a sua vontade de querer melhor, apontada como ingenuidade ou ilus\u00e3o de \u201clicenciados\u201d de narizes empinados, a de querer ter uma vida digna, com sal\u00e1rios dignos.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Podia ser sempre pior. Mas e quando somos os piores? Estamos na cauda da Europa, somos os piores em quase tudo. E tudo porque deixamos de ser. Porque nos falta sempre alguma coisa e a culpa \u00e9 sempre de outro algu\u00e9m que se perde num \u201celes\u201d.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Escrevo aqui porque acredito que para vendermos um Portugal bom, temos de ser melhores. Poucos s\u00e3o os que acreditam, e n\u00e3o basta acreditar. Temos de apoiar, divulgar, dialogar e, mais importante, fazer, fazer mais e fazer melhor.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">O Algarve, como \u00e9 j\u00e1 comum, foi mais uma vez objeto de \u201cdeprecia\u00e7\u00e3o\u201d pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o durante o ver\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Aqui no Algarve j\u00e1 sabemos que em julho chegam o sol, os turistas e as cr\u00edticas.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Este ano foram, mais uma vez, apontados os pre\u00e7os altos, os exageros, as praias lotadas e as praias interditas a banhos. Afirmou-se que o Algarve j\u00e1 n\u00e3o serve para as carteiras dos portugueses, n\u00e3o se focando que estas s\u00f3 est\u00e3o pesadas porque n\u00e3o carregam notas e levam s\u00f3 moedas.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Troca-se o discurso de um Algarve de turismo de massas por um Algarve ingrato. N\u00e3o se diz que um portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 mau cliente, mas \u00e9 um cliente mais pobre.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">O turismo \u00e9 um bar\u00f3metro. As f\u00e9rias s\u00e3o as primeiras coisas a cortar em tempos de dieta de carteira.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">As calorias cortam-se, mas n\u00e3o se faz exerc\u00edcio. Somos trabalhadores, suamos que nos fartamos, mas olhamos para o conta quil\u00f3metros com a esperan\u00e7a de ver metas ultrapassadas, mas n\u00e3o fomos a lado nenhum porque and\u00e1mos \u00e0 volta dentro de um pequeno sauna.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Para n\u00f3s, que vivemos e fazemos da hospitalidade a nossa profiss\u00e3o, estes discursos s\u00e3o inflamat\u00f3rios, e o \u00fanico rem\u00e9dio \u00e9 o gelo da fria realidade \u2013 Portugal \u00e9 ingrato consigo mesmo e o seu discurso \u00e9 de quem sofre de baixa autoestima e se acha incapaz de merecer melhor.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">A Hist\u00f3ria de Portugal est\u00e1 repleta de exemplos de grandes Homens que morreram pobres e sem louvores. A aprecia\u00e7\u00e3o vem sempre tarde e normalmente post mortem.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Falta-nos motiva\u00e7\u00e3o para fazer mais, mais vezes e melhor. A cura da apatia \u00e9 fazer. E, como ouvi uma vez, queixarmo-nos de falta de motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 como nos queixarmos de estar com fome, com um frigor\u00edfico cheio, e n\u00e3o nos levantarmos do sof\u00e1 para ir cozinhar.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Ser empres\u00e1rio no turismo, ou em qualquer \u00e1rea de neg\u00f3cio, em Portugal, \u00e9 para loucos ou super-her\u00f3is. N\u00e3o s\u00f3 os impostos s\u00e3o verdadeiros menires que s\u00f3 quem toma \u201cpo\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas\u201d do Asterix \u00e9 que os consegue levantar, com a burocracia que s\u00f3 um verdadeiro homem-aranha consegue orientar tal \u00e9 a teia.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">O caminho parece \u00f3bvio. Impostos mais leves e uma burocracia mais direta, simples e uma gest\u00e3o transparente. Contudo, temos o exemplo de quando o governo baixou temporariamente os impostos dos combust\u00edveis e o resultado foi um pre\u00e7o final para o consumidor quase igual, tendo as margens de lucros sido superiores.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">A resposta n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil nem simples, mas acredito que adv\u00e9m de um foco maior e mais preciso na produtividade.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">Ajudas do Estado n\u00e3o t\u00eam de ser subs\u00eddios, podem e devem ser focadas em facilitar, em abrir portas, criar pontes, entre empresas, universidades e oportunidades internacionais. A ajuda do Estado deve focar-se em fornecer \u00e1gua aos produtores e n\u00e3o tentar resolver a falta de frutos que as empresas t\u00eam porque quer dar a sua trinca.<\/p>\n<p class=\"css-w11q5b\">O turismo \u00e9 o bar\u00f3metro, e est\u00e1 demasiado calor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto previamente publicado no <a href=\"https:\/\/www.publituris.pt\/opiniao\/portugal-e-bom\"><em><strong>Publituris<\/strong><\/em><\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal \u00e9 bom, os portugueses s\u00e3o mais ou menos. N\u00e3o se trata de uma analogia sobre o copo meio cheio ou meio vazio. 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