{"id":593,"date":"2024-03-05T11:02:58","date_gmt":"2024-03-05T11:02:58","guid":{"rendered":"https:\/\/guicosta.pt\/?p=593"},"modified":"2024-03-05T11:02:58","modified_gmt":"2024-03-05T11:02:58","slug":"turismo-verde-precisa-de-chuva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guicosta.pt\/en\/turismo-verde-precisa-de-chuva\/","title":{"rendered":"Turismo Verde Precisa de Chuva"},"content":{"rendered":"<p>Comecei o ano com malas \u00e0s costas. Troquei a areia nos dedos dos p\u00e9s por lama nas botas. Troquei Portim\u00e3o por Oliveira de Frades. Uma troca que fez alguns dos leitores me mandarem mensagens interrogativas e telefonemas incr\u00e9dulos e na BTL n\u00e3o se escondeu o espanto quando contei a minha mais recente aventura. Tal deveu-se a v\u00e1rios motivos, pessoais e profissionais, contudo, foi um acreditar num Portugal tur\u00edstico mais sustent\u00e1vel, verde e verdadeiro que me fez abra\u00e7ar a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para a sazonalidade \u00e9 a cultura perene.<br \/>\nO Algarve vive do sol e da praia, que s\u00f3 acontece no ver\u00e3o. No inverno, as cidades s\u00e3o frias e vazias. Os locais afirmam em setembro que \u201co Algarve volta para os algarvios\u201d. O Algarve deveria ser para toda a gente, durante todo o ano. Finalmente come\u00e7a-se a valorizar a comida (piscar de olho para o Chef Louis Anjos, Chef Jo\u00e3o Marreiros e as Estrelas Michelin), e a cultura local que tanto foi menosprezada h\u00e1 tanto tempo. Contudo, continua-se a vender o Algarve como algo que s\u00f3 combina com agosto.<\/p>\n<p>Aqui, no Centro, os esfor\u00e7os comunicativos est\u00e3o focados nos percursos, na antiguidade da cal\u00e7ada e na comida, todas boas, durante todo o ano. At\u00e9 posso agora afirmar que at\u00e9 s\u00e3o melhores com chuva e frio. As cascatas est\u00e3o a abarrotar de \u00e1gua e o verde \u00e9 luxuoso, e quando tocamos na \u00e1gua quente do duche ao fim da caminhada \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos a ser abra\u00e7ados por algo transcendente.<\/p>\n<p>No Norte da Europa diz-se que \u201cn\u00e3o existe frio, existe estar mal vestido\u201d.<\/p>\n<p>Nem tudo \u00e9 melhor no Centro de Portugal, n\u00e3o falando na falta que sinto dos passeios na hora de almo\u00e7o na praia da Gal\u00e9.<\/p>\n<p>No Centro de Portugal h\u00e1 muito para ser feito. Falta coordena\u00e7\u00e3o do tecido empresarial, dos hoteleiros, das atividades tur\u00edsticas, dos restaurantes que, por ordem natural da localidade, como \u00e9 infelizmente comum tamb\u00e9m no Algarve, desconhecem a riqueza da sua pr\u00f3pria regi\u00e3o. Falta a confian\u00e7a dos algarvios no seu produto. Falta acreditar que n\u00e3o s\u00f3 se \u00e9 bom, se \u00e9 o melhor.<\/p>\n<p>Os munic\u00edpios e associa\u00e7\u00f5es institucionais fazem um trabalho exemplar, mas pecam na liga\u00e7\u00e3o com os agentes no terreno, \u00e9 comum n\u00e3o se conhecerem entre si, nem o que podem fazer uns pelos outros. Todavia, a estrutura est\u00e1 l\u00e1. Os percursos lind\u00edssimos est\u00e3o criados, as cascatas jorram \u00e1gua, as festas celebram-se e a comida \u00e9 deliciosa.<\/p>\n<p>Continuarei a adorar o Algarve e a apoiar a sua valoriza\u00e7\u00e3o, contudo, descobri um Portugal que merece mais aten\u00e7\u00e3o, exposi\u00e7\u00e3o e que posso ajudar a dinamizar, metendo as m\u00e3os \u00e0 obra e as botas na terra.<\/p>\n<div><\/div>\n<div>Previamente publicado na <a href=\"https:\/\/www.publituris.pt\/opiniao\/turismo-verde-precisa-de-chuva\"><em><strong>Publituris<\/strong><\/em><\/a><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comecei o ano com malas \u00e0s costas. Troquei a areia nos dedos dos p\u00e9s por lama nas botas. Troquei Portim\u00e3o por Oliveira de Frades. 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