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Depois de um dos melhores anos de sempre no turismo, vemo-nos outra vez a abraçar uma incerteza que nos faz paralisar e contrair.

Como podemos tomar boas decisões?

Conhecimento é, em si, poder.” – Sir Francis Bacon

Apesar de continuar a acreditar que para sermos líderes temos de olhar para o futuro, e os dados serem impressões de um passado, os dados da maior agregadora do mundo, a Google, não só nos dão um relatório bem sólido como também nos permitem determinar tendências futuras. Não vou falar de tendências como sustentabilidade, turismo rural ou desportivo, porque isso é de conhecimento comum e, francamente, repetitivo. Falemos sim em dados que nos permitam desenhar uma Estratégia de Marketing focada na oportunidade e no retorno de investimento:

Inflação & Preço – O fator mais preponderante. A procura por “países baratos para viajar” aumentou 7000%. Sim, três zeros. Era expectável, pois como a inflação galopante dita menos poder de compra, a preocupação do turista está em poupar. “Ofertas de última hora em hotéis” aumentou 70%, pesquisas por vales, promoções e ofertas de valor aumentaram e continuarão a representar um grande peso na pesquisa. No turismo, como em tudo, a inflação fez subir preços. Todavia, através de outras fontes, como a Nerdwallet, podemos confirmar que os preços no turismo não acompanharam a inflação, tendo sido suportada pelas empresas, muitas vezes inconscientemente pois, com o aumento da procura, não repararam sequer nas suas minguantes margens de lucro;
Viagens híbridas & Experiências locais – Mais de metade dos viajantes que vão em negócio procuram agora experiências de lazer durante a sua estada. Experienciar o local, restaurantes, museus, tours e outras experiências culturais e desportivas são claramente uma tendência que a própria Google vai capitalizar com um novo sistema de reservas global para estas atividades;
Marca & Reservas – 77% dos turistas tem uma marca em mente mesmo antes de reservar e 72% reservou com essa mesma marca. Isto significa que só 23% dos turistas não tem nenhuma marca em mente quando vai reservar e apenas temos 5% de probabilidade de influência divergente. Em média, os turistas visitam 6,3 canais diferentes antes de reservar e 73% decide dentro de um mês qual a marca que reservam.

Com estes dados podemos traçar um perfil do turista pós-covid – É alguém que tem uma grande tendência para reservar com a marca que já tinha em mente e consulta mais de seis canais antes de o fazer; procura por preço e ofertas de última hora; demora normalmente um mês antes de reservar; procura experienciar o destino mesmo quando viaja em negócios, procurando por atividades e experiências locais.

Os números são impactantes e dizem-nos, bem alto, que é de máxima importância a tua marca estar no “top of mind”, isto é, estar presente na consciência do turista mesmo antes de este ter decidido reservar. Como? Através de estratégias de notoriedade de marca, sendo o retorno de investimento mais tardio e menos direto, porém mais eficaz, se bem segmentado, pois 72% é uma colossal influência no ato de reserva.

A marca é a nossa impressão de um serviço ou produto de uma empresa. Qual é a experiência dos teus clientes em todos os canais de contacto?

Ter todos os canais, incluindo o nosso website e redes sociais, a comunicar claramente a nossa marca é imperativo e deve ser levado a sério. O funil de reservas deve ser bem oleado e a nossa presença online tem de ser holística e uniforme.

A janela de um mês para ponderação e decisão, ajuda-nos estrategicamente, pois podemos analisar quando é feito o maior volume de reservas e antecipar um ou dois meses e atacar seriamente o mercado nesse espaço temporal, para além de também nos ajudar a afinar a estratégia de remarketing.

Em relação ao preço e valor, aqui dependerá da estratégia da marca. Eu, pessoalmente, nunca fui apologista de estratégias de baixo preço pois competir nesse mercado é sinónimo de uma marca fraca e de um cliente de baixo valor. Todavia, não podemos ignorar o facto de as pesquisas por ofertas de última hora crescerem 70%. Mesmo assim, descontos podem ser publicitados como oportunidades exclusivas e usados para a construção de uma base sólida de reservas, como os early birds, reservas antecipadas, e descontos ou ofertas exclusivas e diretas. Ofertas com limite temporal criam sentido de urgência e funcionam.

Se estás no segmento de luxo, há que comunicar o seu valor de uma maneira impactante e diferenciada. Aposta na qualidade, localidade e autenticidade do serviço e comunica-o de uma forma dinâmica e impactante. O exclusivo agora é o acesso genuíno ao local.
Em todos os segmentos e atividades, a parceria e associação de experiências é uma oportunidade interessante a ser explorada.

A estratégia para 2023 deve ser focada na valorização e notoriedade da marca, mesmo em mercados de preço acessível, para garantir a preferência no ato da reserva. Não é altura de contenção, pois o risco de conter investimento é bem mais perigoso que o risco de investir na marca.

 

 

Texto previamente publicado na Publituris