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A universalização do turismo e, consequentemente, o seu crescimento exponencial mudaram irreparavelmente o mercado com uma inundação de procura e de oferta. Frequentemente, esse crescimento desenfreado causou aberrantes cirurgias plásticas e uma descaracterização tal dos destinos que o local e autêntico foi substituído por uma imitação importada, em nome do conforto de um turista que só procura sol e uma espreguiçadeira.

Este turista preguiçoso é fácil de aliciar, pois o dourado da praia, do sol e da cerveja barata são mais que suficientes para o atrair para uma curta viagem de avião, com uma eficácia que provoca inveja ao flautista de Hamelin.

Com o aumento da oferta, para todos os gostos e orçamentos, a democratização do turismo gramatical substituiu o barato pelo acessível e o luxo pelo exclusivo.

O exclusivo nunca foi só o mais caro, mas também o mais raro, e a raridade agora é a autenticidade.

Não é por nada que a lista de restaurantes com Estrela Michelin está a aumentar, ou projetos que promovem experiências de autêntica proximidade a crescer.

O novo luxo é agora ter acesso próximo ao orgânico, ao verdadeiro e ao local. A sua apresentação pode, e deve, ser cuidada, no entanto uma limpeza não é uma plástica.

É uma oportunidade de criação de um turismo verdadeiramente sustentável e com um impacto positivo na valorização local. O turista que procura luxo é um turista exigente que, consequentemente, melhora o serviço prestado, sendo também mais lucrativo, assim contribuindo para a construção de um turismo em par com a excelência de Portugal.

É com prazer e orgulho que tenho conhecimento de vários projetos com um potencial tremendo de projeção de uma marca portuguesa de qualidade superior e que assentam nas reinterpretações de tradições à beira do esquecimento, com um toque de criatividade que abandona o desenrasque para adotar o irreverente, mas cuidado. Uma criação estrábica, com um olho na continuidade de uma historicidade brilhante e outro num futuro muito próprio.

A marca de Portugal assenta inegavelmente no seu turismo, mas a marca do seu turismo é de um destino bonito, de uma melodia de flauta com duas notas, que apesar de ficar no ouvido falta-lhe a complexidade de uma harmonia com mais instrumentos. Comparemos a marca da Itália e façamos uma comparação, o que nos falta?

Falta-nos comunicar holisticamente em todos os canais, porque a excelência vive na paixão pelo nosso trabalho, e há muitos apaixonados que vêm curvas neste país retangular de mentes quadradas.

 

Texto previamente publicado na Publituris